Esclerose múltipla: entender os sinais, o diagnóstico e o tratamento faz diferença.

 

A esclerose múltipla (EM) é uma doença neurológica crônica que afeta o sistema nervoso central, formado pelo cérebro e pela medula espinhal. Embora ainda seja uma condição cercada por dúvidas e receios, os avanços no diagnóstico, no acompanhamento e no tratamento mudaram significativamente as perspectivas para quem recebe esse diagnóstico.

Na esclerose múltipla, ocorre uma resposta inadequada do sistema imunológico contra estruturas do próprio sistema nervoso, especialmente a mielina, camada que envolve e protege as fibras nervosas. Quando essa estrutura é danificada, a transmissão dos impulsos nervosos pode ser prejudicada, dando origem a manifestações neurológicas bastante variadas.

É justamente essa diversidade que torna a doença tão particular: duas pessoas com esclerose múltipla podem apresentar sintomas, evolução e necessidades de tratamento muito diferentes.

Quais são os principais sintomas da esclerose múltipla?

Os sintomas dependem das regiões do sistema nervoso afetadas e podem surgir de maneiras diferentes ao longo da doença. Em algumas pessoas, aparecem em episódios ou surtos, seguidos por períodos de melhora. Em outras, pode ocorrer uma progressão mais gradual das manifestações neurológicas.

Entre os sintomas que podem ocorrer estão alterações visuais, dormência ou formigamento, perda de força, dificuldade de equilíbrio e coordenação, alterações para caminhar, fadiga intensa, rigidez muscular e algumas alterações cognitivas. Também podem surgir manifestações urinárias, intestinais, da fala ou da deglutição.

Um dos possíveis sinais iniciais é a neurite óptica, uma inflamação do nervo óptico que pode provocar redução ou embaçamento da visão, alteração na percepção das cores e dor, frequentemente associada à movimentação dos olhos.

É importante ressaltar, porém, que apresentar isoladamente um desses sintomas não significa ter esclerose múltipla. Formigamento, cansaço, tontura ou alterações visuais, por exemplo, podem estar relacionados a diversas outras condições. Por isso, sintomas neurológicos novos, persistentes ou recorrentes devem ser avaliados adequadamente.

Por que a esclerose múltipla pode ser difícil de identificar?

Não existe um único sintoma exclusivo da esclerose múltipla e também não há um exame isolado que, sozinho e em qualquer situação, estabeleça o diagnóstico.

A investigação começa pela história clínica e pelo exame neurológico. Dependendo do caso, o neurologista pode solicitar exames complementares, especialmente a ressonância magnética do cérebro e, em determinadas situações, da medula espinhal. A análise do líquido cefalorraquidiano, obtido por punção lombar, e outros exames também podem fazer parte da investigação.

O diagnóstico exige a interpretação conjunta dos achados clínicos e dos exames, além da exclusão de outras doenças que podem produzir manifestações semelhantes.

Por isso, a avaliação especializada é fundamental. O objetivo não é apenas encontrar alterações em um exame, mas compreender se o conjunto de informações é compatível com a doença e qual é o melhor caminho para aquele paciente.

Nem toda esclerose múltipla evolui da mesma maneira

Outro ponto importante para pacientes e familiares é compreender que esclerose múltipla não representa uma trajetória única.

Existem diferentes formas de apresentação e evolução da doença. A forma remitente-recorrente, por exemplo, caracteriza-se pela ocorrência de episódios de aparecimento ou piora de sintomas neurológicos, os chamados surtos, intercalados por períodos de estabilidade ou recuperação. Existem também formas progressivas, nas quais pode ocorrer piora neurológica gradual ao longo do tempo.

Essa variabilidade reforça por que comparações entre pacientes nem sempre são adequadas. A idade, o tipo de manifestação, a localização e a quantidade de lesões, a atividade da doença e a resposta ao tratamento são alguns dos elementos considerados no acompanhamento.

O tratamento da esclerose múltipla vai além do controle dos sintomas

Atualmente, não há cura para a esclerose múltipla, mas existem tratamentos capazes de modificar o curso da doença. As chamadas terapias modificadoras da doença têm como objetivos reduzir a atividade inflamatória, diminuir a ocorrência de novos surtos e lesões e reduzir o risco de progressão da incapacidade ao longo do tempo. A escolha do tratamento é individualizada e considera características da doença e do próprio paciente. Por isso, o acompanhamento neurológico regular permanece importante mesmo nos períodos em que a pessoa se sente bem e não percebe novos sintomas.

Além do tratamento direcionado à atividade da doença, outros cuidados podem ser necessários para controlar manifestações específicas e preservar funcionalidade e qualidade de vida.

Dependendo das necessidades de cada pessoa, o acompanhamento pode envolver uma equipe multiprofissional, incluindo fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional e outros profissionais.

Alguns pontos importantes para quem convive com esclerose múltipla

O acompanhamento da EM não deve se limitar aos períodos em que surgem sintomas. Alguns cuidados fazem parte de uma abordagem mais ampla:

  • Manter acompanhamento neurológico regular, mesmo durante períodos de estabilidade;
  • Utilizar corretamente a medicação prescrita e conversar com o neurologista antes de interromper ou modificar o tratamento;
  • Comunicar o aparecimento de sintomas neurológicos novos ou uma piora importante de sintomas já existentes;
  • Cuidar do sono, da saúde emocional e da prática de atividade física, respeitando as condições e orientações individuais;
  • Acompanhar sintomas que afetam a funcionalidade e a qualidade de vida, como fadiga, dor, alterações urinárias, dificuldades de equilíbrio, fala ou deglutição;
  • Manter o acompanhamento multiprofissional quando indicado, já que a reabilitação pode ter papel importante na manutenção da independência e da participação nas atividades cotidianas.

O tratamento moderno da esclerose múltipla, portanto, não olha apenas para a ressonância ou para a ocorrência de surtos. O cuidado também considera como a pessoa funciona, trabalha, se movimenta, se comunica e mantém sua qualidade de vida.

Diagnóstico de esclerose múltipla não significa necessariamente perda de autonomia

Esse é um dos pontos mais importantes quando falamos sobre a doença. Durante muito tempo, a esclerose múltipla esteve associada no imaginário das pessoas à ideia de incapacidade inevitável. Hoje, essa não é uma conclusão adequada.

A evolução da doença é variável e as possibilidades terapêuticas avançaram consideravelmente. O diagnóstico e o tratamento oportunos permitem controlar a atividade da doença em muitos pacientes, reduzir surtos e buscar preservar a funcionalidade pelo maior tempo possível.

Por isso, reconhecer possíveis manifestações e procurar avaliação médica é importante, mas também é necessário evitar conclusões precipitadas ou diagnósticos baseados em pesquisas na internet.

Quando procurar um neurologista?

Uma alteração neurológica nova e persistente merece atenção, especialmente diante de sintomas como perda ou alteração da visão, visão dupla, perda de força, dormência ou formigamentos persistentes, alterações importantes do equilíbrio ou da coordenação e outros sintomas neurológicos sem uma explicação conhecida.

Essas manifestações não significam necessariamente esclerose múltipla. A avaliação neurológica é justamente o que permite investigar as diferentes possibilidades, definir quais exames são necessários e chegar ao diagnóstico adequado.

Da mesma forma, quem já possui diagnóstico de esclerose múltipla deve manter acompanhamento periódico para avaliar a atividade da doença, resposta ao tratamento, novos sintomas e possíveis necessidades de reabilitação.

Acompanhamento especializado na Clínica Animus

Na Clínica Animus, a Dra. Marília Mamprim, médica neurologista, realiza avaliação e acompanhamento de pacientes com esclerose múltipla e outras condições neurológicas.

Se você apresenta sintomas neurológicos que precisam ser investigados, recebeu recentemente o diagnóstico de esclerose múltipla ou já convive com a doença e busca acompanhamento especializado, entre em contato com a Clínica Animus e agende uma consulta com a Dra. Marília.

Informação de qualidade é importante. Mas, diante de sintomas ou de um diagnóstico neurológico, ela deve caminhar junto com uma avaliação individualizada.

Clínica Animus

📍 Rua Doutor Luiz Alberto Vieira dos Santos, 18 – salas 422 e 307, Atibaia/SP

📞 (11) 94071-7428

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